Jovens Pesquisadoras: Ciência também é coisa de mulher!

 

O Programa Mulher e Ciência, parceria entre a Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Educação (MEC), o Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDA e a ONU Mulheres, tem como objetivos: 1) estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismos no País e 2) promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas.

 

Em 2013, como parte da Comemoração do Dia Internacional da Mulher, em conjunto com a Secretaria de Políticas para Mulheres, iniciamos a divulgação da contribuição das “Pioneiras da Ciência no Brasil”. Na terceira edição, já homenageamos 51 pesquisadoras precursoras em seus campos de atuação. Confira aqui:

 

Em 2014, em comemoração também ao 08 de março, estamos divulgando o trabalho de jovens cientistas brasileiras, pesquisadoras de reconhecido mérito acadêmico, que são modelos para as estudantes que desejam seguir as carreiras científicas. Foram identificadas 22 pesquisadoras com menos de 40 anos, bolsistas de produtividade em pesquisa na categoria 1.

 

Historicamente, o número de mulheres na ciência diminui à medida que se avança na carreira científica, ou seja, em posições consideradas de maior prestígio e em altos postos acadêmicos. A participação feminina nas bolsas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, consideradas pela academia como critério de excelência, corresponde a 36% do total de bolsas concedidas no ano de 2013: 4.970 para mulheres e 8.994 para homens. Na Iniciação Científica, ao contrário, as jovens são 56%.

 

Além disso, o ingresso da mulher no sistema de bolsas PQ, de modo geral, é mais tardio. Enquanto a maioria de bolsas PQ do sexo masculino é concedida a homens de 45 a 54 anos, o patamar de maior freqüência de bolsas para as mulheres, nessa mesma modalidade, situa-se dos 50 aos 59 anos.

 

Não há representantes do sexo feminino dos 25 aos 29 anos. Entre os 30 e 34 anos, elas perfazem apenas 19% do total de bolsas PQ femininas, passando para 25% na faixa seguinte, de 35 a 39. O ápice de participação das mulheres está entre 55 e 59 anos, com 42%.

 

Segundo os critérios numéricos utilizados, as mulheres participam mais expressivamente da carreira científica na maturidade. As faixas etárias de menor representatividade feminina na bolsa PQ coincidem com o período fértil, época em que as pesquisadoras relatam dificuldades em conciliar a maternidade com a carreira.

 

Entre bolsistas com menos de 40 anos, há 295 mulheres, o que representa 5,93% do total de bolsas PQ do CNPq, enquanto 967 são homens, representando 10,75% do total. Quando o corte é por bolsistas da categoria 1, nessa faixa etária, a proporção é de 6 homens no sistema para cada bolsista feminina: são 22 bolsistas do sexo feminino e 136 do sexomasculino. Entre as mulheres, há apenas uma bolsa PQ 1B e nenhuma bolsa PQ1A . Entre os homens, há 4 bolsistas no topo da carreira. Assim, o mérito dessas 22 jovens pesquisadoras PQ 1 é ainda maior: elas representam apenas 0,2% do total de bolsas PQ femininas.

 

Diante deste quadro em que as jovens ainda são minoria nas bolsas PQ, divulgamos as histórias de sucesso das pesquisadoras selecionadas, contribuindo para dar visibilidade a suas trajetórias. Como é possível constatar em cada perfil, essas jovens já se destacaram muito cedo: passaram em primeiro lugar em vestibulares, foram bolsistas de Iniciação Científica, foram premiadas durante sua formação com o prêmio de melhor tese da CAPES e prêmios de suas sociedades científicas e acadêmicas. Várias delas aceleraram o processo de formação, não fazendo o mestrado ou cursando o doutorado em um tempo mínimo de dois anos. Além disso, tiveram inserção internacional com pós-doutorados nas melhores e mais conceituadas universidades.

 

Publicando fora do Brasil, alcançaram reconhecimento internacional e também prêmios no exterior. Em território nacional, ganharam prêmios reconhecidos, como o L’Oreal para Mulheres na Ciência – áreas de Física e Matemática; duas ganharam o Prêmio Inventor da Petrobrás. Cincopesquisadoras também se destacam como membros afiliados da Academia Brasileira de Ciências.

 

Estão construindo uma carreira acadêmica consistente e estruturada nesse curto espaço de tempo. São professoras em instituições reconhecidas, sendo uma titular da mais renomada instituição de ensino superior brasileira; são orientadoras de mestrado e doutorado e também acumulam prêmios de seus orientados/as, além do reconhecimento de seus alunos/as. Todas possuem uma produção intelectual significativa, com publicações no Brasil e no exterior nos mais importantes periódicos científicos, bem como participam de redes de pesquisa nacionais e internacionais.

 

Com o objetivo de impulsionar a participação feminina na ciência e tecnologia, o Programa Mulher e Ciência tem incentivado diversas ações. Entre elas, destacamos a prorrogação, em caso de parto, para as bolsas de estudo no Brasil e no Exterior, inclusive Produtividade em Pesquisa, a fim de que a maternidade não seja um obstáculo para a progressão na carreira.

 

Também houve o lançamento da Chamada MCTI/CNPq/SPM-PR/Petrobras18/2013 – Meninas e Jovens fazendo Ciências Exatas, Engenharias e Computação, que tem o objetivo de estimular a formação de mulheres para as carreiras de ciências exatas, engenharias e computação no Brasil. A intenção é despertar o interesse de estudantes do sexo feminino do Ensino Médio e da Graduação por estas profissões e para a pesquisa científica e tecnológica. Foram submetidas 528 propostas, com a demanda total de recursos de R$ 18.404.136,00, das quais 325 foram apoiadas, com valor total de R$ 10.990.897,98.

 

Outra iniciativa, já mencionada, consiste na divulgação do trabalho e trajetória de cientistas pioneiras da ciência no Brasil, já na terceira edição e disponível na página do CNPq, com o objetivo de desconstruir os estereótipos e promover os modelos de cientistas brasileiras em várias áreas do conhecimento.

 

É certo que outras ações precisam ser estruturadas, a exemplo de um programa que vise a mudança da cultura institucional, com iniciativas locais para promoção da equidade dos sexos na carreira científica e acadêmica, como a criação de mentorias para estudantes e jovens pesquisadoras e maior participação na gestão universitária. No exterior, várias universidades, institutos de pesquisa e empresas têm programas de mentoria para jovens. A National Science Foundation, com o ProgramaAdvance, pretende contribuir para a mudança de cultura institucional. No Brasil, ainda precisamos avançar e, juntamente com as universidades, discutir ações que permitam a maior participação da mulher na carreira científica e acadêmica.

 

Autoria: Equipe do Programa Mulher e Ciência do CNPq – Isabel Tavares (doutora em Sociologia), Maria Lucia Braga (doutora em Sociologia) e Betina Stefanello Lima (doutoranda em Ciências Sociais) em colaboração com a Profa. Hildete Pereira de Melo (doutora em Economia).

 

http://www.cnpq.br/humanas-e-sociais

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